Com a DUIMP, as informações aduaneiras, comerciais, fiscais e administrativas das importações no Brasil passam a ser reunidas em um único documento digital. Isso permite que as empresas registrem esses dados apenas uma vez, e que eles sejam compartilhados automaticamente com todos os órgãos anuentes.
Essa evolução traz imensos ganhos de eficiência e transparência para o negócio, mas também exige que sistemas, processos e equipes estejam preparados para se integrar de forma fluida ao Portal Único Siscomex. Quanto maior o nível de estruturação e governança, menor tende a ser o impacto da transição, e maior o aproveitamento dos benefícios do novo modelo.
Neste artigo, analisamos os principais impactos que devem desafiar as empresas em 2026, com base na experiência prática da Adejo em projetos de Comércio Exterior e na aplicação de tecnologia e consultoria especializada para apoiar nossos clientes nessa jornada de transformação.
1- A DUIMP exige modernização tecnológica e integração de sistemas
A DUIMP centraliza todas as informações referentes às importações e se integra a diversos módulos desenvolvidos pela Receita Federal, como Catálogo de Produtos, PCCE (Pagamento Centralizado do Comércio Exterior), CCT (Controle de Carga e Trânsito Aéreo, Marítimo e Terrestre) e LPCO (Licenças, Permissões, Certificados e Outros Documentos).
Mas, na prática, essa centralização só funciona quando os sistemas internos da empresa conseguem registrar, tratar e transmitir os dados exigidos de forma consistente.
Ao contar com uma solução de Comércio Exterior aderente ao novo modelo, torna-se possível, por exemplo:
- Programar o preenchimento da DUIMP a partir dos documentos de importação
- Controlar e sugerir classificações com base em fundamentos legais
- Realizar o vínculo automático com LPCO e demais módulos do Portal Único
- Incluir atributos aduaneiros das mercadorias desde a origem da importação
2 - Processos e estratégias precisam acompanhar as mudanças
Além de demandar novas tecnologias, a DUIMP promove mudanças significativas na forma como as empresas conduzem seus processos de importação, pagam impostos e lidam com os órgãos anuentes.
Recolhimento de tributos
O recolhimento passa a ser realizado de maneira integrada. Para os tributos federais, o sistema calcula automaticamente valores como Imposto de Importação (II), IPI e PIS/Cofins-Importação. Em seguida, o pagamento é efetuado por meio do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), com débito automático em conta cadastrada no módulo PCCE.
Já no caso do ICMS, o importador acessa a aba de tributos estaduais dentro da própria DUIMP, realizando o recolhimento por meio de guias específicas, como a Guia de Liberação de Mercadoria Estrangeira (GLME) ou o Documento de Arrecadação de Receitas Estaduais (DARE), conforme a legislação vigente em cada estado.
Janela Única de Inspeção
Outro avanço importante para as empresas é a Janela Única de Inspeção, que permite a atuação simultânea e coordenada de todos os órgãos anuentes, como ANVISA, MAPA, INMETRO e autoridades sanitárias.
Nesse modelo, as informações são prestadas uma única vez. Embora represente um desafio inicial, essa abordagem reduz inconsistências e permite ao importador acompanhar, em tempo real, qual órgão está fiscalizando a carga e em que etapa o processo se encontra.
3 - As equipes também precisam se atualizar
Em muitas organizações, o conhecimento sobre a DUIMP ainda está concentrado em poucos usuários-chave. Quando esse entendimento não se dissemina ao longo de toda a cadeia operacional, surgem inconsistências e gargalos que comprometem a eficiência e a conformidade das operações.
O desafio não é apenas capacitar indivíduos, mas transformar o conhecimento em um ativo coletivo da empresa. Para isso, é fundamental investir em treinamentos práticos e contínuos, estruturar manuais e fluxos operacionais claros e estabelecer uma governança capaz de manter esse conhecimento atualizado e acessível.
Somente assim a organização estará preparada para absorver as mudanças e extrair todo o potencial que a DUIMP oferece.
4 - A obrigatoriedade da DUIMP pode pegar de surpresa
A implementação prática da DUIMP teve início em outubro de 2024, inicialmente aplicada a uma parcela bastante reduzida das importações nacionais. Desde então, o governo vem expandindo seu uso de forma gradual e controlada, combinando fases de obrigatoriedade com a manutenção de um ambiente de testes seguro.
O caminho, no entanto, já está definido: o modelo tradicional da Declaração de Importação (DI) será definitivamente descontinuado e não haverá espaço para improvisos.
As empresas precisam estar preparadas, com seus catálogos de produtos devidamente estruturados, sistemas integrados ao Portal Único e processos internos ajustados às novas exigências.
Por isso, a Adejo reforça constantemente: não permita que seu negócio seja surpreendido. Antecipe-se, adapte-se e esteja pronto para a transição.
5 - As exigências de compliance serão elevadas
Práticas informais ou dependentes de planilhas dispersas deixam de ser uma opção. Empresas que já contam com políticas sólidas de governança corporativa, auditoria e controles internos saem na frente, pois conseguem assegurar a conformidade regulatória desde a origem das importações.
A adoção da DUIMP também aproxima o Brasil de padrões internacionais já consolidados, alinhados às diretrizes da Organização Mundial do Comércio. Esse movimento fortalece a credibilidade do país como parceiro comercial e contribui para a redução de barreiras técnicas em negociações internacionais.
Além disso, indicadores de compliance, eficiência aduaneira e gestão de riscos passam a ser instrumentos estratégicos para sustentar auditorias, melhorar contratos e fortalecer a governança corporativa.
Conte com a Adejo
Há 20 anos, ajudamos grandes empresas a lidar com a complexidade regulatória com método, inteligência e execução. Atuamos com soluções e serviços em TAX, Comércio Exterior e SAP, integrando regulação, tecnologia e operação para aumentar conformidade, eficiência e controle.
