O ano de 2026 mal começou e os departamentos contábeis e as diretorias financeiras das empresas já precisam correr contra o tempo para se organizar. A entrega da Escrituração Contábil Digital (ECD) referente ao ano-calendário 2025 é de extrema importância e carrega um peso que vai muito além do simples cumprimento de uma obrigação acessória: na prática, ela representa o verdadeiro "marco zero" da Reforma Tributária para o Fisco, o ponto de partida a partir do qual toda a transição será monitorada.
Isso acontece porque a Receita Federal utilizará os dados declarados em 2025 como base principal e referência comparativa para acompanhar, de forma detalhada, o comportamento das empresas ao longo de toda a transição para o novo regime tributário.
ECD 2025 como base de comparação
A partir do próximo ano, a Receita Federal terá em mãos duas bases de dados robustas para realizar cruzamentos e comparações. A ECD 2025 servirá como espelho fiscal, um parâmetro utilizado para confrontar e analisar as variações que ocorrerão ao longo de 2026. Veja alguns exemplos práticos dessa comparação:
Receita, margem e carga tributária: comparações diretas e detalhadas entre o desempenho financeiro de 2025 e o de 2026.
Créditos tributários: monitoramento rigoroso da transição dos créditos de PIS, COFINS e ICMS para o novo modelo de crédito amplo do IVA.
Estoques e custos: com a mudança na forma de precificação e na recuperação de impostos, o CMV (Custo das Mercadorias Vendidas) será minuciosamente escrutinado pelos auditores fiscais.
Qualquer inconsistência ou anomalia identificada na entrega de 2025 poderá gerar gatilhos de fiscalização automática assim que os dados de IBS e CBS começarem a ser reportados de forma efetiva.
Fiscalização ampliada
Na ECD referente a 2025, a forma de apuração ainda segue integralmente o modelo tradicional. Não há incidência de IBS ou CBS nesta escrituração específica, e o foco permanece concentrado em IRPJ, CSLL, PIS/COFINS, ICMS e ISS, dentro dos regimes atualmente vigentes.
No entanto, é importante destacar que o grau de rigor no cruzamento de dados atinge um patamar inédito e sem precedentes. A Receita Federal passará a interligar a ECD 2025 com diversas outras fontes de informação, entre elas:
Áreas que exigem maior atenção
Para garantir uma entrega consistente e evitar riscos futuros, as empresas devem concentrar sua atenção especialmente nos pontos que historicamente apresentam maior vulnerabilidade perante o Fisco:
Custos e estoques: é vital o fechamento de acordo com o Bloco K, mantendo inventários plenamente rastreáveis e um CMV absolutamente consistente com a realidade operacional.
Provisões e CPC 25: o Fisco está especialmente atento a postergações artificiais de resultados. Provisões para contingências e tributos correntes precisam estar rigorosamente documentadas e justificadas.
Benefícios fiscais: incentivos estaduais e créditos presumidos precisam contar com suporte documental sólido, uma vez que serão alvo direto de compensações e ajustes durante todo o processo de transição da Reforma.
Preparando o plano de contas para o futuro
A recomendação da Adejo é clara: higienize o seu Plano de Contas o quanto antes. Elimine contas genéricas, como "outras despesas", por exemplo, segregue os tributos de forma detalhada e específica, e já organize toda a estrutura contábil por centros de custo.
Uma contabilidade bem estruturada em 2025 funciona como um verdadeiro seguro para garantir que sua empresa não seja flagrada em "contradições digitais" durante a transição tributária mais importante das últimas décadas.
Sobre a Adejo
Há mais de 20 anos, a Adejo apoia grandes empresas na superação da complexidade regulatória, sempre com método, inteligência e excelência na execução. Atuamos com soluções e serviços especializados em TAX, Comércio Exterior e SAP, integrando regulação, tecnologia e operação para ampliar conformidade, eficiência e controle nas organizações que atendemos.
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