Em seus últimos eventos, a SAP vem apresentando uma visão renovada de futuro. Essa visão gira em torno de um ciclo contínuo que conecta aplicações, dados e inteligência artificial, com o objetivo de tornar os processos cada vez mais autônomos e transformar a experiência tanto dos desenvolvedores quanto dos usuários.
Em síntese, passaremos de uma inteligência artificial voltada apenas à navegação para um executor de tarefas no negócio, garantindo segurança, contexto e governança.
E para que isso aconteça, podemos apontar três grandes frentes de inovação: os AI Agents, o Business Data Cloud (BDC) e a modernização do ABAP. A seguir, vamos explorar como esse movimento irá redefinir a maneira como as empresas operam e inovam em 2026.
1. A consolidação dos AI Agents e o lançamento do Joule Studio
O grande divisor de águas para 2026 será a transformação do Joule, que passa a assumir o papel de orquestrador de lógicas e processos.
Podemos dizer que a IA generativa representa o “cérebro”, e os novos AI Agents — chamados pela SAP de Joule Skills — são os “braços” que fazem o trabalho acontecer. Eles buscam dados, criam ordens de venda, disparam aprovações, enviam e-mails e executam ações que hoje exigem várias telas e cliques.
Confira as previsões para o Joule em 2026:
- Joule Studio : Ferramenta que permitirá a criação de AI Agents customizados de forma simples. Nela, será possível definir a expertise, as instruções, o comportamento e, sobretudo, quais ferramentas (APIs, CDS Views, processos) o Agent poderá acessar para executar tarefas transacionais complexas.
- Capacidade de execução: Com o Joule Studio, a entrega de projetos muda de patamar. A Joule executa desde um workflow de aprovação até a gestão de processos de contratação, garantindo rastreabilidade e respeito aos controles do negócio.
- Desenvolvimento de Agents: Será possível construir Agents de dois jeitos: low-code, via Agent Builder do Joule Studio; e pro-code, em qualquer linguagem, usando o SAP Cloud SDK for AI para integração profunda. Assim, times funcionais e técnicos poderão colaborar em torno de um mesmo objetivo.
2. Nova fundação de dados: Business Data Cloud (BDC)
O Business Data Cloud está sendo posicionado como orquestrador principal de dados para alimentar os AI Agents com contexto de negócio confiável. Seu papel é oferecer uma base de dados harmonizada, rica semanticamente e pronta para IA.
Para isso, a SAP anunciou uma expansão significativa de seu ecossistema:
Snowflake Partnership: O Snowflake se junta ao Databricks e ao Google Cloud como parceiros estratégicos. Essa aliança viabiliza o zero-copy sharing (compartilhamento sem cópia) de Data Products SAP diretamente para as plataformas de dados do cliente (e vice-versa), reduzindo custos, latência e complexidade.
Memória dos Agents: O compartilhamento bidirecional de dados entre HANA Cloud e BDC funciona como a memória dos AI Agents. Isso significa que a IA mantém contexto entre sessões e aprende com os feedbacks de negócio, sem abrir mão da governança.
Intelligent Applications: O BDC também viabiliza aplicações inteligentes, como Finance Intelligence e People Intelligence, que combinam pacotes de dados de alta qualidade com modelos contextualizados de negócio.
3. Inovação em desenvolvimento Pro-Code: ABAP e VS Code
A experiência de desenvolvimento na SAP está sendo unificada e potencializada por IA. Para 2026, o grande movimento é levar o ABAP Cloud a um ambiente open source no dia a dia e integrá-lo profundamente aos novos AI Agents.
O impacto dessa evolução é um ciclo de desenvolvimento mais curto, seguro e colaborativo. O desenvolvedor pode alternar entre a IA como copiloto e os Agents como executores, sem precisar sair do fluxo de trabalho.
ABAP no Visual Studio Code (VS Code): Durante o evento SAP TechEd, foi demonstrado o desenvolvimento full-stack ABAP dentro do VS Code (abandonando o Eclipse para o dia a dia). Essa mudança é vista como um enorme ganho para o desenvolvedor full-stack, e inclui depuração e acesso a artefatos CAP/UI5 no mesmo IDE.
ABAP e AI Agents: O ABAP Cloud será conectado aos AI Agents, permitindo que o Joule gere projetos RAP (Restful Application Programming) completos a partir de descrições em linguagem natural.
Modelos de linguagem especializados: A SAP está investindo em modelos próprios para dados estruturados de negócios e código.
- SAP-RPT-1 (Relational Pretrained Transformer): modelo de fundação voltado a dados estruturados/relacionais (como dados transacionais SAP), mais preciso e eficiente que LLMs genéricos em tarefas de previsão. Há uma versão Open Source (RPT-1-OSS) disponível.
- SAP-ABAP-1: um LLM treinado com código ABAP, especializado em casos de uso de IA no contexto ABAP.
Como aproveitar essas novidades: Clean Core e RISE
Se você chegou até aqui, provavelmente está se perguntando como transformar todas essas evoluções em realidade dentro da sua empresa. A SAP indica que para aproveitar plenamente as inovações de 2026, é importante contar com Clean Core e RISE with SAP.
- Clean Core: Para criar Joule Skills e customizar Agents com segurança, é indispensável uma fundação limpa: APIs Standard, Eventos e CDS bem estabelecidos. O Clean Core não é apenas “boa prática”, é a condição para evoluir sem retrabalho.
- RISE with SAP: o RISE é o veículo para adotar as novas tecnologias de forma gradual e viável financeiramente. Os novos contratos RISE já incluem licenças para BTP, BDC, Integration Switch e AI Units, a “moedinha virtual” da SAP para precificação de Agents, facilitando dimensionamento e governança de custos.
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